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Infanta D. Isabel

INFANTA D. ISABEL

Sibila de Cumas

SIBILA DE CUMAS

À esquerda: Desenho à pena e tinta-da-china sobre papel (séc. XVII), cópia de retrato da infanta D. Isabel realizado em Portugal, entre Janeiro e Fevereiro de 1429, por Jan van Eyck, em missão por conta do duque de Borgonha (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa). À direita: Pormenor do retábulo do Cordeiro Místico (Jan e Hubert van Eyck, 1432), mostrando uma representação da Sibila de Cumas (Catedral de Saint Bavon, Gand).

O desenho do séc. XVII é a única cópia conhecida de um retrato, por Jan van Eyck, da infanta D. Isabel, filha de D. João I, pintado por encomenda do duque Filipe o Bom, seu futuro marido. O retrato foi pintado em duplicado, conforme a relação da embaixada borgonhesa a Portugal refere, mas nenhuma das duas versões sobreviveu até aos nossos dias. Tanto a representação de uma moldura ornamental (onde figuram elementos decorativos alusivos à Ordem do Tosão de Ouro, fundada apenas em Janeiro de 1430, por ocasião da chegada de Isabel ao ducado), como a inscrição exterior em torno da mesma, são posteriores ao quadro de 1429. Em contrapartida, a inscrição interior «LINFANTE DAME ISABIEL» que parece cinzelada na pedra, num estilo de trompe-l'oeil frequente na pintura eyckiana, pertence provavelmente à pintura original. A inscrição exterior identifica o retrato copiado com precisão: «Cest la pourtraiture qui fu envoiié a phe duc de bourgoingne & de brabant de dame ysabel fille de roy Jehan de portugal & dalgarbe seigneur de septe par luy conquise qui fu depuis feme & espeuse du desus dit duc phe». Uma orla decorativa adicional, exterior a esta inscrição, que repete os motivos do Tosão de Ouro e os monogramas «PY» da cercadura contígua interior, não é mostrada na figura acima.

Por sua vez, a representação da Sibila de Cumas no retábulo de Gand tem sido referida como provavelmente inspirada na duquesa Isabel, a partir do estilo das suas vestes e sobretudo da touca constelada de pérolas que reune os seus cabelos (o «adereço todo redondo à maneira de Portugal» segundo a expressão do cronista borgonhês Olivier de la Marche), similar à do quadro de 1429. O ano de conclusão inscrito no famoso retábulo é 1432, correspondendo portanto ao terceiro ano posterior à chegada da nova duquesa de Borgonha.